
O Instituto do Negro de Alagoas foi contemplado no Edital Baobá 2018 com o projeto Entre a Periferia e a Orla: Diálogos Públicos e Práticas Antirracistas. Abrangendo especificamente a região Nordeste do Brasil, o edital trouxe um chamado para Organizações Afro-Brasileiras da Sociedade Civil apresentarem seus projetos com o tema A Cidade Que Queremos.
A proposta apresentada pelo INEG, “Entre a Periferia e a Orla: Diálogos Públicos e Práticas Antirracistas”, tem o objetivo de estabelecer diálogos com as instituições de Segurança Pública e do Judiciário, debatendo e intervindo nas possíveis práticas de racismo institucional realizadas por esses órgãos. Com um olhar especial para a Polícia Militar de Alagoas, o projeto visa trabalhar com os policiais que atuam nas Bases Comunitárias, situadas em bairros periféricos de Maceió.
Defendemos a construção de uma cartilha de orientação das abordagens policiais direcionadas a jovens negros e negras, LGBTIs, jovens em cumprimento de medidas socioeducativas e casas de cultos religiosos da matriz africana. Além dessa ação, pretendemos propor a construção de um núcleo específico de militares que sejam adeptos das religiões de matriz africana, a exemplo do núcleo instituído no Estado da Bahia.
A iniciativa busca ainda estimular discussões, promover rodas de conversa, oficinas e construir elementos práticos de combate ao racismo institucional. Se faz importante levantar o debate a cerca da negação à cidadania enfrentada pela população preta do nosso Estado. O direito a cidade nos é tirado cotidianamente e precisa ser reivindicado com ações que nos possibilite enfrentar os mecanismos que nos excluem.
O Fundo Baobá foi criado em 2011 pensando em apoiar projetos voltados para a equidade racial. Sem fins lucrativos, o órgão mobiliza recursos para contribuir com a manutenção de Organizações da Sociedade Civil comprometidas com o combate às desigualdades raciais. O edital Baobá 2018- A Cidade que Queremos foi lançado em parceria com a Fundação OAK e buscou contemplar grupos e organizações que lutam para reverter a desigualdade na qual estão submetidas as populações negras no país.




Em reunião ocorrida no dia 19 de fevereiro de 2018 entre a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL), o Instituto do Negro de Alagoas (INEG/AL) e o Ministério Público Estadual (MPE), foi definido – após debate – que a referida Fundação criará Comissão de Políticas Sociais e Afirmativas, no prazo de trinta dias (prorrogáveis pelo mesmo prazo). Tal Comissão terá por atribuição construir uma proposta de promoção dos segmentos negro e indígena, com foco na política de concessão de bolsas de pós-graduação (Mestrado e Doutorado).
Ações dessa natureza já vêm sendo desenvolvidas por instituições congêneres à FAPEAL, a exemplo das bolsas de iniciação científica do CNPq para estudantes negros cotistas. Apesar disso, o debate junto às Fundações estaduais de fomento à pesquisa tem sido praticamente inexistente, quando não, pouco exitoso. Desde o ano de 2010 que o Instituto do Negro de Alagoas vem dialogando com a referida Fundação para que a mesma constituísse um programa específico de concessão de bolsas para negros e indígenas, visando a promoção/inserção destes segmentos nos cursos de Mestrado e Doutorado do estado.

No dia 17 de novembro de 2017, a Comissão de Cotas na Pós-Graduação da UFAL se reuniu com um conjunto de coordenadores de alguns dos programas de pos graduação daquela instituição. Durante o encontro foram discutidos diversos aspectos que constituem a proposta, destacando-se duas questões em particular: a nota de corte e o debate concernente às bolsas de estudo.
No que diz respeito às bolsas de estudo, num primeiro momento, alguns coordenadores argumentaram sobre a necessidade da proposta ser condizente com o que definem as agências de fomento à pesquisa, tais como a CAPES, o CNPq e a FAPEAL. No entanto, o Prof. Dr. Marcos Mesquita, docente do Instituto de Psicologia, salientou que, apesar disso, os Programas possuem autonomia para criar critérios de distribuição das bolsas já concedidas por tais agências.
O debate relativo à Comissão da Verdade da Escravidão Negra no Brasil nos remete, necessariamente, à responsabilização das famílias que escravizaram seres humanos no Brasil colonial. Dessa forma, o Estado não se constitui na única instância para a qual a população negra deva dirigir suas reivindicações. No estado de Alagoas em particular, podemos exemplificar enquanto famílias que submeteram milhares de pessoas ao regime escravocrata, a família dos Calheiros e a família dos Palmeira, assim como assinala a historiografia local. Estas e outras famílias alagoanas têm o dever de indenizar financeiramente aquela população, dentre outras formas, por meio da criação de um fundo de reparação o qual subsidiaria a execução de políticas públicas de promoção socioeconômica da população negra alagoana.