INEG/AL Apresenta Propostas para a População Negra Alagoana junto à Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos

Reunião com Semudth

O Instituto do Negro de Alagoas esteve, nesta semana, em reunião com representantes da Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos em Alagoas (Semudth). O encontro foi motivado pelo projeto que vem sendo desenvolvido pela Secretaria intitulado ‘Juventudes Negras: Vidas Importam’. Na ocasião, foi apresentado propostas de intervenção para a situação da população negra alagoana, além de medidas voltadas para a promoção econômico-social dessa comunidade.

Entendendo a Semudth como instrumento de diálogo e de articulação entre as demais secretarias e o Governo do Estado, o INEG apresentou uma série de propostas que podem vir a ser desenvolvidas pela gestão em parceria com o Instituto. A população negra é vítima de um descaso em relação à políticas públicas pensadas especificamente para este segmento e é a partir dessa situação que o INEG busca incidir sua atuação, pressionando e apresentando formas de combate a esse abandono.

As propostas apresentadas pelo Instituto demarcam uma preocupação especial com a formação escolar e acadêmica da população negra de Alagoas. Por isso, entre o que foi apresentado, está a abertura da discussão sobre a aplicação da política de cotas raciais nos processos seletivos das Universidades Estaduais (UNEAL e UNCISAL) e nos concursos públicos do Estado e dos municípios. Pensando em combater a evasão escolar crescente entre adolescentes negros secundaristas, o Instituto propôs a elaboração de um plano que acompanhe esses estudantes e que crie um programa de concessão de bolsas de estudo para alunos negros e negras do ensino médio.

O Instituto propôs ainda a criação de um programa de concessão de bolsas de Mestrado e Doutorado para negros e indígenas por parte da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL), discussão que já vem sendo realizada pela organização junto à FAPEAL.

Além destas, outras propostas, como a criação de um plano estadual de combate ao racismo institucional, foram trazidas durante a reunião com a Secretaria. Se preocupar com a questão negra significa buscar transformar ao máximo a realidade econômica desta população, instituindo, por exemplo, um programa de concessão de créditos sem juros ou com juros irrisórios para população negra alagoana, ideia também proposta pelo Instituto.

A situação da população negra em Alagoas ainda não é debatida com seriedade, ainda somos um dos Estados que mais mata jovens pretos na periferia. É necessário que o Governo tome para si a responsabilidade sobre essas vidas e tenha um plano de gestão que busque reduzir as desigualdades e proporcionar novas perspectivas de futuro que não seja o crime, o sistema prisional ou a morte.

INEG/AL Encerra I Ciclo de Debates Sobre Negritude e Racismo em Alagoas

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O Instituto do Negro de Alagoas (INEG/AL) encerrou no último sábado (31) o 1º ciclo de debates Cabeça Preta. A atividade trouxe discussões a cerca da situação da população negra alagoana a partir de pesquisas realizadas por estudiosos negros do Estado. O evento aconteceu no auditório do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e teve início no segundo sábado de agosto e se estendeu aos sábados seguintes.

Com o objetivo de atualizar o debate sobre as questões negras em Alagoas, a primeira edição do Cabeça Preta trouxe, em cada encontro, um tema de discussão relacionado à forma de ocupação dos corpos negros na cidade. A fim de destacar produções acadêmicas de intelectuais negros do Estado, cada sábado contou com a presença de diferentes pesquisadores, apresentando seus estudos e compartilhando com a comunidade o conhecimento acumulado.

Os dois primeiros sábados trouxeram como tema: “Memórias e Negritudes em Alagoas”, “Vigilância aos Corpos Negros e Racismo Institucional e suas Táticas na Segurança Pública”. O terceiro sábado de encontro trouxe a discussão sobre “Educação, Relações Étnico-Raciais e Políticas Afirmativas em Alagoas”. O ciclo foi encerrado com o debate sobre “Gênero, Performances, Representações e as Lutas dos Corpos Negros nas Cidades”.

Novas edições do ‘Cabeça Preta’ estão sendo preparadas para dar continuidade ao ciclo de debates que foi aberto este ano. A realização constante desses espaços busca introduzir uma perspectiva que parta de intelectuais negros na discussão sobre a questão racial em Alagoas,destacando as pessoas pretas, não como objeto de estudo, mas como produtoras de conhecimento.