Mestrado em História/UFAL Terá Cotas Raciais Para Negros e Indígenas

SIMBOLO MESTRADO HISTORIANa última segunda-feira, dia 25 de agosto de 2014, o colegiado do Curso de Mestrado em História, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), decidiu pela aprovação da definição de cotas raciais para negros e indígenas em seus próximos processos seletivos. A aprovação de tal medida foi o corolário do trabalho desenvolvido por comissão criada para esse fim, composta por representações do próprio Curso, do Instituto do Negro de Alagoas (INEG/AL) e do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros daquela Universidade (NEAB/UFAL).

Tal proposta junta-se a algumas outras ainda poucas no território nacional, o que contribui para o fortalecimento do debate sobre a presença das populações negras e indígenas naquele espaço acadêmico. A academia brasileira tem historicamente se configurado enquanto um espaço onde o acesso, na maioria dos casos, tem se caraterizado por um processo seletivo que não tem levado em conta a trajetória social de quem almeja alcançá-lo. Quando falamos em pós-graduação (principalmente mestrado e doutorado), para além do mérito – em sua acepção mais tradicional – o que geralmente se exige é uma espécie de vocação por parte do individuo que se candidata a uma vaga no referido curso. Com base nisso, chegamos a conclusão de que o segmento que majoritariamente detém tal vocação seria o branco. O negro e o indígena teriam vocação pra outras atividades, certamente aquelas que já conhecemos, muitas vezes evidenciadas nas telenovelas brasileiras. A adoção das cotas nos cursos de pós-graduação pretende dialogar sim com a vocação, a vocação dos próprios programas que a partir de então terão potencializadas as abordagens de problemas que dizem respeito à população negra e indígena. No caso do Programa de Pós-Graduação em História da UFAL, a tarefa é bastante hercúlea e, por isso mesmo, desafiadora. A primeira tarefa acreditamos seja realizar a devida crítica histórica ao que se produziu sobre o negro em Alagoas. O que temos presenciado na verdade, de um lado, tem sido o silenciamento de uns, e, de outro, a legitimação de uma fala tradicional, muitas vezes citada com o acompanhamento de adjetivos laureantes. Por último, temos ainda aqueles que adotaram aquela fala, se constituindo dessa forma em verdadeiros neo-folcloristas.

Por fim, a entrada de negros e indígenas em cursos de pós-graduação, tem por objetivo maior, a formação de um quadro de professores destes segmentos populacionais, aptos a assumirem a condição de professores universitários, fortalecendo dessa forma a agenda negra e indígena no interior das universidades brasileiras.

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