Empoderando Capoeiristas Para a Promoção do (a) Negro (a) em Alagoas!!

BAOBA20 Visando estabelecer um canal de diálogo permanente com o segmento capoeirista de Maceió e de Alagoas como um todo, o Instituto do Negro de Alagoas – INEG/AL, deu início no dia 28 de fevereiro de 2015 ao Curso de Formação Política em Relações Raciais – Empoderando Capoeiristas Para a Promoção do (a) Negro (a) em Alagoas. O Curso se constituirá num momento de reflexão e discussão sobre as questões que dizem respeito à população negra alagoana em seus variados aspectos. O contexto ainda presente de chacinas perpetradas contra a população negra, assim como ocorrido no bairro de Cabula em Salvador-BA, bem como os assassinatos diários que vitimizam os jovens negros nas periferias de Maceió, nos chamam a responsabilidade para cada vez mais aprimorarmos nossos mecanismos de prevenção e rejeição a tal estado de coisas. Dito de outro modo, se faz necessária a formação e organização de grupos negros que possam fazer frente ao claro projeto de genocídio imputado contra a população negra em todo país. No final do mês de janeiro deste ano, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), o Fundo das Nações Unidas Para a Infância (UNICEF), o Observatório de Favelas e o Laboratório de Análise da Violência da UERJ (LAV/UERJ), anunciaram o estado de Alagoas como o campeão de homicídios entre adolescentes, por meio do Índice de Homicídios na Adolescência (IHA). Sabemos que a maioria desses jovens assassinados é constituída de negros. É com vistas à diminuição deste Índice que o INEG/AL compreende que a melhor BAOBA5forma é a organização da comunidade negra local, entendendo os grupos de capoeira como elemento importante neste processo. No entanto, as rodas de capoeira, para além do jogo, devem trazer também, de forma permanente e ininterrupta, o debate constante sobre os problemas que afligem nossa população; devem mesmo se constituir em verdadeiros núcleos de vigília e de resistência perante os acontecimentos rotineiros em seu local de atuação. Além dos módulos que abordarão a História do Negro, o Curso compreenderá também a realização de seminários, os quais terão a participação de especialistas. O primeiro se dará no mês de maio e versará sobre o tema “Capoeira: Políticas Públicas, Salvaguarda e Regulamentação”, com a participação de Paulo Magalhães Filho. Esta iniciativa é financiada pelo Baobá – Fundo Para Equidade Racial.

Instituições Discutem Formação de Comissão Estadual da Verdade da Escravidão Negra em Alagoas

FOTO COMISSAO DA VERDADENo dia 3 de novembro de 2014, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), sob pressão de militantes negros da esfera jurídica, constituiu sua Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra no Brasil. Tal Comissão se assemelha à Comissão Nacional da Verdade, instituída pelo Governo Federal com o objetivo de apurar os crimes cometidos durante a ditadura militar. A necessidade de criação de uma Comissão com tal natureza se dá na medida em que o governo do estado de Alagoas não tem desenvolvido nenhuma política de promoção socioeconômica em prol de sua população negra, a despeito do firmamento de alguns acordos com o governo federal, a exemplo do Plano Juventude Viva. O que o governo de Alagoas tem feito até então é pedir perdão, como ocorreu por ocasião do centenário do episódio conhecido como Quebra de Xangô, em 2012. Pediu perdão por ter reconhecido a omissão do Estado perante o linchamento sofrido por pais e mães de santo na capital alagoana. Temos o entendimento que muito mais do que pedir perdão, cabe ao Governo do estado o pagamento de indenizações às atuais casas de religiosidade de matriz africana. Para além disso, como é de conhecimento público, há época da escravidão, o estado recolhia um imposto chamado “meia siza”, o qual incidia sobre qualquer transação comercial que tinha o escravo por objeto de negociação. Sem falar no próprio fato do Estado ser possuidor de escravos. Estas situações fazem o estado de Alagoas – assim como outros – responsável pelo atual estado de anomia social no qual se insere a população negra, uma vez que não apenas legitimou a escravidão mas também se beneficiou da mesma, como relatado acima.

No entanto, não é apenas ao poder público que a Comissão Estadual da Verdade da Escravidão Negra em Alagoas deve se voltar. É também, e principalmente, à esfera privada. Por esfera privada entendemos as famílias que historicamente se beneficiaram e enriqueceram às custas do trabalho penoso de negros e negras nesse estado. E que, apesar disso, não tem as mesmas contribuído em nada no melhoramento da qualidade de vida daquela população. Algumas destas famílias ainda se encontram no ramo do plantio da cana para o fabrico do açúcar. Tais famílias precisam ser responsabilizadas por terem escravizado pessoas.

Foi com o intuito de iniciar esse debate que a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas, juntamente com o Instituto do Negro de Alagoas e o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFAL, se reuniram no dia 18 de dezembro de 2014, com o objetivo de dar os primeiros passos para formação da Comissão Estadual da Verdade da Escravidão Negra em Alagoas. Na reunião, foi discutida a necessidade da Comissão ter um corpo investigativo o qual deve ser composto inicialmente pelo NEAB/UFAL, além da possibilidade do Departamento de História da mesma instituição. A Comissão deve ser composta, além das instituições citadas, pelo Ministério Público Estadual, Assembleia Legislativa, Câmara dos Vereadores e segmentos do movimento negro do estado.

A próxima reunião se dará no dia 15 de janeiro de 2015, na sede da OAB/AL.

Mestrado em História/UFAL Terá Cotas Raciais Para Negros e Indígenas

SIMBOLO MESTRADO HISTORIANa última segunda-feira, dia 25 de agosto de 2014, o colegiado do Curso de Mestrado em História, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), decidiu pela aprovação da definição de cotas raciais para negros e indígenas em seus próximos processos seletivos. A aprovação de tal medida foi o corolário do trabalho desenvolvido por comissão criada para esse fim, composta por representações do próprio Curso, do Instituto do Negro de Alagoas (INEG/AL) e do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros daquela Universidade (NEAB/UFAL).

Tal proposta junta-se a algumas outras ainda poucas no território nacional, o que contribui para o fortalecimento do debate sobre a presença das populações negras e indígenas naquele espaço acadêmico. A academia brasileira tem historicamente se configurado enquanto um espaço onde o acesso, na maioria dos casos, tem se caraterizado por um processo seletivo que não tem levado em conta a trajetória social de quem almeja alcançá-lo. Quando falamos em pós-graduação (principalmente mestrado e doutorado), para além do mérito – em sua acepção mais tradicional – o que geralmente se exige é uma espécie de vocação por parte do individuo que se candidata a uma vaga no referido curso. Com base nisso, chegamos a conclusão de que o segmento que majoritariamente detém tal vocação seria o branco. O negro e o indígena teriam vocação pra outras atividades, certamente aquelas que já conhecemos, muitas vezes evidenciadas nas telenovelas brasileiras. A adoção das cotas nos cursos de pós-graduação pretende dialogar sim com a vocação, a vocação dos próprios programas que a partir de então terão potencializadas as abordagens de problemas que dizem respeito à população negra e indígena. No caso do Programa de Pós-Graduação em História da UFAL, a tarefa é bastante hercúlea e, por isso mesmo, desafiadora. A primeira tarefa acreditamos seja realizar a devida crítica histórica ao que se produziu sobre o negro em Alagoas. O que temos presenciado na verdade, de um lado, tem sido o silenciamento de uns, e, de outro, a legitimação de uma fala tradicional, muitas vezes citada com o acompanhamento de adjetivos laureantes. Por último, temos ainda aqueles que adotaram aquela fala, se constituindo dessa forma em verdadeiros neo-folcloristas.

Por fim, a entrada de negros e indígenas em cursos de pós-graduação, tem por objetivo maior, a formação de um quadro de professores destes segmentos populacionais, aptos a assumirem a condição de professores universitários, fortalecendo dessa forma a agenda negra e indígena no interior das universidades brasileiras.

INEG/AL é Contemplado em Edital do Baobá

LOGO BAOBA

O Baobá – Fundo Para a Equidade Racial, é uma iniciativa que tem por objetivo apoiar o desenvolvimento de projetos que visem a melhoria da qualidade de vida da população negra em território nacional. Em seu primeiro edital, denominado I Chamada Para Projetos de Organizações Afro-Brasileiras da Sociedade Civil, foram inscritas cento e noventa e quatro organizações de todo o país, das quais vinte e duas foram contempladas, dentre estas o Instituto do Negro de Alagoas. As propostas selecionadas são em parte considerável advindas da região Nordeste do país, as mesmas se constituindo numa ampla variedade de temas, como gênero, atividades de formação, cultura, combate à intolerância religiosa, educação, dentre outros.

Em sua proposta, o  INEG/AL tem por objetivo a realização de um curso de formação política a ser ministrado para professores de capoeira. Estes, por sua vez, serão orientados a desenvolver projetos a serem executados em escolas públicas do estado. Com este curso o Instituto do Negro de Alagoas dará início a um necessário diálogo com os capoeiristas do estado, visando a inserção do debate político sobre as necessidades e bandeiras da população negra em suas rodas de capoeira, assim como também nos fóruns deliberativos do segmento. Tal iniciativa se insere ainda nas discussões a respeito da implementação da Lei 10.639/03, a qual tem por objetivo a inserção dos conteúdos referentes a população afro-brasileira e africana no currículo escolar pois, será pensada no decorrer do curso formas de intervenção no espaço escolar por parte dos capoeiristas.

A presença bastante razoável de capoeiristas no interior das escolas públicas de Maceió, até mesmo por meio de aulas realizadas dentro do espaço escolar, nos fez refletir sobre a necessidade de uma maior intervenção dos mesmos junto às instâncias deliberativas das escolas, à exemplo dos conselhos escolares. Seja por meio da participação em tais conselhos, seja por meio do diálogo direto com os gestores da escola, os jovens praticantes de capoeira, assim como seus professores, podem se constituir num importante agente propositor e fiscalizador da implementação da Lei 10.639/03 no interior das escolas públicas de Maceió.

Nos últimos anos temos presenciado uma politização cada vez maior daquele segmento em Alagoas. É com o objetivo de contribuir para o pleno desenvolvimento da mesma, que o Instituto do Negro de Alagoas pretende desenvolver tal proposta, a ser iniciada ainda este ano.

Dialogando com a Comunidade Escolar de União dos Palmares/AL

A necessidade do debate em torno da educação para as relações etnicorraciais tem sido um desafio constante para a pleFOTO DAVID UNIAOna aplicação do que preconiza a Lei 11.645/08 nos estabelecimentos de ensino do país. Em Alagoas, assim como parece se apresentar em outros estados brasileiros, a formação de professores para a implementação da referida Lei, se mostra como um dos principais desafios enfrentados por aqueles preocupados com o avanço da promoção socioeconômica da população negra brasileira. Nesse processo, o currículo e as atividades cotidianas no ambiente escolar constituem espaços fundamentais para a desconstrução de práticas racistas fortemente arraigadas nos processos educativos regulares. Para além da formação de professores é preciso ainda que desenvolvamos mecanismos de verificação da aplicação dos referidos conteúdos. Ao discutirmos tais conteúdos, algumas questões precisam ser colocadas ao focalizarmos o estado de Alagoas. Acreditamos que uma destas questões seria a desconstrução de como o negro tem sido historicamente descrito por nossa classe letrada. E nesse momento é preciso fazer frente a um dos principais se não o principal ícone representativo de nossa alagoanidade, qual seja, a muitas vezes ingênua contemplação de nossas manifestações ditas folclóricas. É curioso o quanto até mesmo segmentos tidos como esclarecidos – a exemplo de nossa classe universitária – tem perpetuado e mesmo legitimado práticas e concepções fortemente sedimentadas e construídas pela elite senhorial local. Tudo isto travestido de uma suposta valorização do que seria “nosso”, do que nos diferenciaria dos outros estados da federação, e como tal, uma das representações do “ser” alagoano. É nesse sentido que entendemos que para o real desenvolvimento de práticas e concepções antirracistas em Alagoas, é preciso questionar elementos constituintes do que seria nossa alagoanidade. Para dialogar com tal realidade, o Instituto do Negro de Alagoas tem realizado algumas atividades, a exemplo da primeira atividade da parceria firmada entre o Instituto e o Núcleo de Identidade Etnicorracial de União dos Palmares/AL (NIER), ocorrida no dia 23 de maio, qual seja a participação de um momento de formação para estudantes, professores e coordenadores da referida cidade. O tema debatido foi: “Identidade Negra e a Legislação Educacional. Em nossa avaliação o debate foi produtivo, embora tenhamos a percepção do longo caminho que devemos percorrer, no sentido de se praticar uma educação que desconstrua e ressignifique práticas racistas vigentes em nossas instituições de ensino.

 

Mestrado em História/UFAL Constitui Comissão de Cotas Raciais

Em reunião do colegiado do curso de Mestrado em História da Universidade Federal de Alagoas, ocorrida no dia 04 de junho de 2014 com a participação do Instituto do Negro de Alagoas, foi debatida a possibilidade de adoção de um modelo de inclusão de negros e indígenas no quadro de alunos do referido curso. Após apresentação de programas de pós-graduação no país que já possuem tal iniciativa, o pleno do colegiado deliberou pela formação de comissão interna que terá por atribuição a construção de uma proposta de inclusão de negros e indígenas. Iniciativas dessa natureza já são realidade em programas de pós-graduação de Universidades como a Universidade Estadual da Bahia (UNEB), Universidade de Brasília (UNB), Universidade Federal do Pará (UFPR). Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), dentre outras. O Instituto do Negro de Alagoas (INEG/AL) entende que a exclusão do negro e do indígena dos espaços de produção científica é uma realidade incontestável no país, e em Alagoas em particular. Tal quadro tem contribuído para a constituição de verdadeiros guetos do saber com seus próprios sistemas de blindagem seletiva que acabam por barrar o acesso daqueles segmentos aos espaços de excelência acadêmica do país. Em Alagoas, tal situação pode ser compreendida ainda como a manutenção do negro enquanto objeto dos estudos de folclore. É apenas dessa forma que é permitida a participação do negro no processo de produção de conhecimento em Alagoas. A inclusão de negros e indígenas em programas de pós-graduação no estado, vem reclamar uma dívida que a classe letrada local tem para com aqueles. Mas não é só isso (o que por si só, ainda assim não representa pouco). A inserção de tais segmentos contribuirá para o crescimento científico da instituição, na medida em que os mesmos trazem consigo experiências que lhes permitem o desenvolver de perspectivas diferenciadas daquelas do mainstream acadêmico, algo já percebido ha muito por instituições congeneres no mundo inteiro.

INEG/AL Estabelece Parceria com NIER

No dia 28 de março de 2014, o Instituto do Negro de Alagoas – INEG/AL, recebeu a visita de Márcia Susana e Luizinho, ambos integrantes do Núcleo de Identidade Étnicorracial (NIER), Núcleo interno da Secretaria de Educação de União dos Palmares – AL, responsável pelo desenvolvimento de ações que visam promover os conteúdos concernentes à presença da população negra e indígena no interior das escolas do município. Na ocasião, os representantes do referido Núcleo apresentaram um conjunto de ações que vem sendo desenvolvidas no município, dentre as quais, ações que tem por objetivo a formação de professores para a devida implementação da Lei 10.639/03.

Dentre os objetivos da reunião entre as duas instituições, destacou-se a necessidade de haver uma parceria entre os mesmos onde, o INEG/AL ficaria encarregado de participar como Reunião INEG/AL e NIERformadores políticos na discussão sobre relações étnicorraciais junto aos professores (as) do Município de União dos Palmares. O INEG demonstrou interesse em fazer parte de tais atividades, o que foi bem recebido por Márcia e Luizinho, os quais convidaram o Instituto a fazer parte de atividades a serem desenvolvidas no final do mês de abril.

A formação de professores constitui um dos principais desafios à aplicação dos conteúdos relativos à História do Negro na sala de aula. A mudança do pensamento em torno do currículo por si só não garante efetivamente a prática diária nas salas de aula das escolas brasileiras. Sabemos que essa discussão passa necessariamente pelas inquietações e discussões praticadas no cerne da formação de profissionais que possam compreender essas antigas problemáticas.

O INEG/AL defende a formação política como uma ação necessária para constituir grupos atuantes na luta contra o racismo, o preconceito e a discriminação que ainda é realidade nas instituições educacionais de Alagoas (e do Brasil), as quais atingem de forma marcante, alunos(as) e professores(as) negros(as) e não negros(as) dos municípios alagoanos.

A partir de tal parceria o INEG/AL pretende estabelecer uma relação de troca de experiências com o NIER,  de forma a construir propostas bem sucedidas no combate a discriminação racial e pela promoção da população afro-alagoana.