INEG/AL e AENNUFAL Debatem Cotas na Pós e na Docência

O Instituto do Negro de Alagoas (INEG/AL) em parceria com a Associação de Estudantes Negros e Negras da Universidade Federal de Alagoas (AENNUFAL) realizam o Seminário: Aspirações e História da Comunidade Negra

Com as mesas:

Cotas na Pós e na Docência: Fabson Calixto – AENNUFAL, Jeferson Santos – INEG/AL e Prof.ª Roseane – CEDU/UFAL. Dia: 27/11/2013

História do Movimento Rastafári: Ras Sidney Rocha (Associação Cultural Nova Flor) e David José – INEG/AL.  Dia: 28/11/2013

• Participação: Quilombola de Zion cantando Nyahbinghi junto com Ras Sidney.
Local: auditório do ICHCA (antigo CHLA, localizado na UFAL)
Hora: 16 h

INEG Participa de Reunião Pró-Associação de Estudantes Negros e Negras da UFAL

No dia 13 de agosto de 2013, no Centro de Educação/UFAL, um grupo de alunos do PUNHO CERRADOcurso de Pedagogia da UFAL se reuniu com o intuito de discutir iniciativas que tenham por objetivo a promoção da população negra no interior da Universidade. Dentre tais iniciativas, foi destacada a necessidade de se debater propostas de inclusão de alunos negros nos programas de pós-graduação da referida Universidade, por meio da instituição de cotas raciais. Tal debate tem ganho força nos últimos meses no país. Alguns encaminhamentos já foram tomados e, para fazer frente  a esta e outras propostas em prol da comunidade negra, foi também discutida a necessidade de organização dos estudantes negros e negras da UFAL em torno de uma entidade que levaria a frente tais reivindicações. Nesse sentido, foi proposto a criação da Associação de Estudantes Negros e Negras da Universidade Federal de Alagoas, a qual teria o papel de aglutinar esforços no diálogo com @s estudantes negr@s e a própria Universidade. Parabéns estudantes por mais esta iniciativa!! O Instituto do Negro de Alagoas é parceiro neste processo.

INEG Enriquece Acervo Adquirindo Obras Raras da Literatura Alagoana

ROSAS, Oséas. Macumba, Macumbeiros e Espiritismo. Maceió: Casa Ramalho, 1943.

O episódio do Quebra de Xangô de 1912, assim como outros assuntos referentes a religiosidade afro-brasileira em terras alagoanas, foi muitas vezes descrito por Oseas Rosas, em uma sessão de sua autoria, no já extinto Jornal de Alagoas. Sob a denominação de Bruxaria, tal sessão se constituiu num veiculo de manifestação racista da sociedade alagoana. Em Macumba, Macumbeiros e Espiritismo, Oseas Rosas manifesta mais uma vez suas impressões do que denominou macumba. Neste trabalho, apresentado em 1943, no Centro Espírita William Crookes, localizado no bairro do Prado em Maceió, Rosas afirma a necessidade de higienização social que cumpria as frequentes batidas policiais nos terreiros da capital. Com a disponibilização dessa obra (livreto) ao público alagoano, o Instituto do Negro de Alagoas cumpre papel importantíssimo no desvendamento da história vivida pelos terreiros de candomblé e seus integrantes na província canavieira.

ALTAVILA, Jayme de. O Tesouro Holandês de Porto Calvo. Maceió: Departamento Estadual de Cultura, 1961.

“O que há de ficção no trabalho do professor Jayme é a sua concepção de certos episódios evidentemente fantasiados, sem deslustrar o valor da obra.

Uma diminuta expressão composta do autor do seu amigo Silvério Lins (descendente do tronco bandeirante Cristovão Lins) e de um certo Libório, negro leal e conhecedor dos caminhos do norte do Estado, dirigi-se para Porto Calvo, à procura do tesouro do Holandês.

A caminhada a pé de Camaragibe a Porto Calvo, descreve-a probidosamente o novelista […].

A noite embutida na escuridão da mata fechada, os três excursionistas preparam-se para dormir num improvisado acampamento. Guaribas resfolegam no silêncio da floresta. Libório ao ouvir certo ruído suspeito acende a lanterna de pilhas […]”

Guedes de Miranda

Em Reunião Entre Movimento Negro e MPE, INEG/AL Propõe Interpelação à FAPEAL

No dia 25 de julho de 2013, o Instituto do Negro de Alagoas, juntamente com outras entidades do Movimento Negro alagoano, se reuniram com o Procurador da 61ª Promotoria de Justiça da Capital, com o objetivo de apresentar as reivindicações do MN àquela Promotoria. Em nossa fala, deixamos claro à Promotoria o respaldo legal que a mesma dispõe para agir em prol da promoção da população negra alagoana. Nesse sentido, foram salientadas as Convenções internacionais de combate às desigualdades raciais, das quais o Brasil é signatário, assim como também a aprovação, em 2010, do Estatuto da Igualdade Racial, que preconiza uma série de medidas de promoção do negro nas mais variadas áreas. Salientamos ainda a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em abril de 2012, onde o mesmo decide pela constitucionalidade das cotas raciais nas universidades públicas brasileiras. Por último, citamos o firmamento de acordo realizado entre o Governo Federal e o Governo de Alagoas, no que diz respeito à implementação do Plano Juventude Viva, o qual dá prioridade à juventude negra.

Como experiências exitosas de promoção do negro na esfera educacional, citamos a iniciativa do Programa Internacional de Bolsas da Fundação Ford, enquanto iniciativa privada, e as bolsas de estudo concedidas pelo CNPq aos estudantes cotistas das universidades federais. Tudo isso para afirmarmos a necessidade da Promotoria interpelar a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL) quanto a não existência de uma proposta de concessão de bolsas de estudos para negros e indígenas. Salientamos ainda a necessidade da Promotoria se dirigir ao poder executivo municipal, com o intuito de questionar o mesmo quanto a não existência de cotas raciais nos concursos públicos municipais.

Ao final da Audiência Pública, o Procurador se comprometeu a receber o Instituto do Negro de Alagoas, na próxima quarta-feira, dia 31 de julho de 2013, para dar encaminhamento ao pleito.

Debate Sobre Movimento Rastafári em Maceió

 

Um momento histórico aconteceu em nossa cidade quando da vinda do Sacerdote Boboshanti do Congresso Negro Internacional Etíope Africano (E.A.B.I.C), Kes Ricardo Red Lion que realizava peregrinação por alguns Estados do Nordeste junto com o palmarino Profeta Thiago Correia ‘Quilombola de Zion’.

Histórico porque pela primeira vez em Maceió e especificamente na Universidade (em parceria com o NEAB/UFAL), temos uma discussão sobre o Movimento Rastafári realizado por um integrante do movimento. Tema bastante conhecido graças ao reggae, ele ainda é muito mal compreendido, visto que poucos são os que buscam se aprofundar no tema, ocorrendo que uma parcela considerável de pessoas se apropria dos símbolos Rastafáris que acabam sendo banalizados e, dessa forma, prejudicando de maneira vital o entendimento do que vem a ser o Movimento.

As palavras do sacerdote desmistificaram inúmeras questões sobre o Movimento Rastafári (que acabam em muitos casos sendo explicadas pela via do ‘senso comum’) ao apresentar os princípios e objetivos da organização a qual faz parte, neste caso, o Congresso Negro Internacional Etíope Africano.

Dessa forma, realizando atividades desse porte, visamos oportunizar conhecimento ao nosso povo, algo de extrema importância pois, como já disse Marcus Garvey, “…Um povo que não conhece sua História é como uma árvore sem raiz…”.

Com a realização dessa atividade, pretendemos dar início a uma série de outros debates sobre o movimento Rastafári, bastante estudado em outros países, porém ainda em fase incipiente no Brasil, e em Alagoas em particular.

Cotas Raciais na Pós-Graduação da UFAL

 

O debate que aborda o acesso de negros e negras aos programas de pós-graduação da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), traz consigo, em sua essência, a necessidade urgente da formação de quadros de professores universitários negros que venham a ocupar as cátedras docentes não apenas da referida Universidade mas também o de suas congeneres no estado de Alagoas. Se quisermos ir mais além, o que está em jogo é o crescimento das instituições acadêmicas enquanto tais, na medida em que a presença do negro e do indígena (agora como docentes) propiciará uma maior diversidade na produção acadêmica, assim como também na abordagem da mesma, entendendo essa última como práticas diferenciadas no fazer acadêmico, advindas de experiencias de vida igualmente diversa. Perceba que nosso debate não foge do que se tem chamado de acadêmico. Muito pelo contrário, pretende enriquecê-lo, na medida em que propõe  o incremento de estudos de problemas sociais a serem discutidos por meio de “novos” agentes questionadores. Universidades no mundo inteiro adotam e estimulam um perfil multiétnico em seu quadro discente e docente de forma deliberada, pois compreendem que, em não fazendo isso, estariam contribuindo para o empobrecimento de suas instituições. Os espaços acadêmicos não devem ser mais tratados como patrimônio de “a” ou “b”, e sim espaço por excelência de problematização e discussão de questões que estão presentes em nossa sociedade.
É nesse sentido que o Instituto do Negro de Alagoas iniciou o debate de tal questão no interior da UFAL, visando a promoção do negro nos espaços acadêmicos, o que por sua vez, leva ao crescimento da acadêmica enquanto instituição.