1º Fala Negra em Palmeira dos Índios

15385376_1181035618649157_6690578610153200836_oFoi sob a perspectiva de debater táticas de resistência e suas expressões cotidianas que foi constituída uma das mesas de discussão no 1º Fala Negra, organizado pelo Programa de Educação Tutorial/ Núcleo de Estudos do Semiárido Alagoano (PET/NESAL), em Palmeira dos Índios, da qual fez parte o Instituto do Negro de Alagoas. Percebemos que no âmago do debate estava o que é ser negra e ser negro, pobre e periférico, onde é comum que nestes locais a violência letal seja tão frequente quanto natural, porém iniciamos nossa fala tratando de outro tipo de violência, a simbólica; aquela que tira você de suas matrizes de resistência, de sua origem e nos põem em duvida de onde viemos e para onde vamos. A gentrificação é também parte desta violência, que em Maceió pudemos constatar com a retirada da comunidade da Vila dos Pescadores do Jaraguá, que tiveram que sair de seus lugares de sobrevivência e foram morar na parte alta da cidade, sem ter nenhuma política que garantisse a permanência daquele povo acostumado com a pesca. Também trouxemos à tona a violência do trafico de drogas e por fim a violência policial. Essas duas últimas como efeito colateral de um Estado racista, genocida e branco.

A violência talvez tenha sido a discussão central de nossa fala, pois é ela quem se apresenta no cotidiano da juventude negra em Alagoas, e que a mídia tem um papel fundamental nessa violência contra nosso povo preto e periférico, porém discutimos também sobre o que tem feito a juventude diante destas barreiras e pudemos explanar sobre a prática de algumas manifestações negras que resistem ao racismo como por exemplo a capoeira, o hip hop e outras manifestações que a juventude é frequente, assim como algumas lutas do movimento negro na promoção da igualdade racial no brasil, as políticas de ações afirmativas, dentre outras bandeiras que o movimento negro vem levantando.

Nesse contexto se deu algumas falas diante da atual conjuntura da política quem vem se15577928_1181028231983229_250514970996401086_o instalando no Brasil, onde existe um golpe e em meio a diversos “Fora Temer”, pudemos também salientar que apesar de estarmos presenciando um dos piores momentos de cunho histórico e político, o povo negro no Brasil já conhece muito bem as armadilhas do sistema antes que o golpe armava e agora pós golpe, e por exemplo os Auto de Resistência, que instalado ainda no golpe militar de 64 é bem atual nas periferias e para a juventude negra quando se tomba a partir da mão armada da policia militar. Neste sentido, sabemos o que é viver com o golpe, e agora neste momento precisamos saber como lhe dar com esse novo formato onde de toda forma quem será o mais ou já vem sendo o mais atingido somos nós, negros, pobres e moradores de periferia.

As discussões desenvolvidas no 1º Fala Negra precisam avançar no sentido de discutirmos outras temáticas que não apenas da violência, que neste momento é o que está em curso e de forma sistemática. Por isso, propusemos que não se acabe apenas nesse momento, pois o Instituto do Negro de Alagoas estrá aberto a outros momentos de debates que promovam o povo de pele preta.

Comissão Pró Cotas na Pós-Graduação é Formada na UFAL

         13717468_10208313280447714_8353360874041202020_oCom o intuito de garantir a presença das populações negras e indígenas, além das pessoas com necessidades especiais, nos cursos de pós-graduação da Universidade Federal de Alagoas, foi formada em meados do mês de julho de 2016, uma Comissão com o objetivo de pensar e construir uma proposta de política de acesso e permanência daqueles segmentos nos referidos cursos. A Comissão é formada pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB/UFAL), pelo Instituto do Negro de Alagoas (INEG/AL), pela Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPEP/UFAL), além de professores e coordenadores de programas de pós-graduação da instituição federal de ensino superior.

           A primeira experiência que incorporou o debate sobre o acesso de negros e indígenas em um curso de pós-graduação naquela Universidade foi desenvolvida pelo Programa de Pós-Graduação em História (PPGH/UFAL), no ano de 2015, tendo sido a proposta aprovada em agosto do ano anterior.  Além de contemplar os segmentos supracitados, a proposta do referido Programa incorporou ainda o debate sobre empoderamento de lideranças negras, na medida em que também reserva vagas para indivíduos comprometidos com a luta pela promoção socioeconômica da população negra no país. Algo realizado apenas por instituições privadas, as quais não concediam vagas em cursos de pós-graduação, mas sim, bolsas de mestrado e doutorado para segmentos historicamente preteridos.

       13719473_10208353329688920_8123695122930927088_oCom a iniciativa do Programa de História, logo outros Programas também formularam propostas, a exemplo do Programa na área de Educação e, mais recentemente, o da Antropologia. Tais iniciativas juntam-se a outras desenvolvidas no país, as quais forçaram o Ministério da Educação a instituir a Portaria Normativa nº 13, de 11 de maio de 2016 que dispõe sobre a indução de Ações Afirmativas na Pós-Graduação das universidades federais brasileiras e dá outras providências.

      Além de se debruçar na elaboração de uma proposta institucional para a Universidade Federal de Alagoas, a Comissão Cotas na Pós/UFAL, também percebeu a necessidade de envolver a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL) neste debate, principalmente no que concerne à garantia da permanência dos cotistas em seus respectivos Programas, por meio da concessão de bolsas de estudo. Pleito este, que o Instituto do Negro de Alagoas vem debatendo junto à referida Fundação desde o ano de 2010.

      A próxima reunião da Comissão está marcada para o dia 02 de agosto de 2016, às 10h, nas dependências do NEAB/UFAL.

INEG/AL ofertará curso sobre relações raciais em Alagoas

“Cabeça Preta: Relações Raciais em Alagoas” pretende constituir-se num exercício deFOTO INEG problematização da sociedade alagoana em sua relação com a população negra local. Partindo da análise critica da escrita tradicional alagoana e seus atuais perpetuadores e, finalizando, com as performances das manifestações políticos-culturais negro-alagoanas, o Curso tem por objetivo principal possibilitar uma mínima compreensão do processo de construção do negro local, bem como também de sua resposta a tal construção.

Muitas vezes reduzido a um mero portador de peculiaridades culturais, o negro alagoano sempre figurou no tradicional enquadramento de “tipos alagoanos”, por parte de nossa intelectualidade local, o que por sua vez demarcaria, sobremaneira, a condição de objeto distante, a ser pesquisado por nossa classe letrada. Apesar de tal enquadramento se inserir num conjunto de fontes que nos possibilitam ter uma compreensão mínima da realidade vivida pelo negro em Alagoas, não podemos deixar de fazer a devida critica e revisão nos moldes interpretativos até então vigentes.

Discutir a situação da população afro-alagoana implica em nos debruçarmos sobre a baseFOTO DENIS1 de nossa formação socioeconômica. De tal forma que a superação do caráter desigual desta formação perpassa obrigatoriamente pelo empoderamento e promoção socioeconômica daquela população.

Para se inscrever, o(a) interessado(a) deve enviar um e-mail para inegalagoas@hotmail.com, relatando porque gostaria de realizar o Curso. Na sequência, respondemos o e-mail com a ficha de inscrição e os dados bancários para o devido depósito. O Curso deverá ter duração de quatro meses, com encontros aos sábados. O valor total a ser investido pelo participante é de R$ 200,00 (duzentos reais), podendo o mesmo ser parcelado.

Bom Curso a todxs!!

CARTAZ CABEÇA PRETA

Feminismo Negro e Afetividades

FOTO BRUNADando continuidade às palestras ocorridas durante todo o ano de 2015, o Instituto do Negro de Alagoas (INEG/AL), trouxe para Alagoas, no dia 27 de novembro de 2015, a Coordenadora do Grupo de Estudos Mulheres Negras/UNB, Bruna Pereira. O debate foi produtivo e reflexivo. O tema proposto, “Feminismo Negro e Afetividades” foi a abertura inicial para um leque de assuntos referentes a mulher negra no Brasil.

A palestrante iniciou sua explanação fazendo uma leitura conceitual do feminismo no Brasil, e o que difere as condições de ser mulher em um país machista e com um alarmante índice de violência contra a mulher. Nesse contexto, Bruna esclareceu que existem dados atuais das últimas pesquisas sobre violência no Brasil que apontam para uma diminuição da mortalidade de mulheres no país. No entanto, esses dados, se observados de forma universal, acabam por obscurecer as particularidades existentes neste segmento populacional. Observando tais particularidades, os dados vão apontar para o aumento da violência contra as mulheres negras no Brasil. Nesse sentido, Bruna salientou a necessidade das mulheres negras terem seus debates em um Movimento Feminista Negro, que discuta as especificidades pertinentes aos interesses da mulher negra.

As análises de Bruna percorreram vários pontos que englobam o debate do feminismo negro brasileiro, entre eles a afetividade. Nesse contexto, a palestrante abordou algumas das formas encontradas por negros no Brasil para fazer frente ao racismo, como é o caso de relacionamentos com pessoas brancas. Relações essas que possuem conflitos raciais no seio FOTO PLATEIA BRUNAfamiliar, muitas vezes causando violência física e moral, que acabam por afetar muitas mulheres. Enquanto as mulheres brancas estão no cenário da afetividade de casamentos formais, as mulheres negras aparecem com relações informais ou como amantes, justificando talvez a frase “branca para casar e preta para furnicar”.

Bruna também destacou a importância do movimento negro feminista compreender que a discussão de gênero precisa levar em consideração que existe um genocídio negro que atinge principalmente aos homens jovens. Mostra nesse sentido, que o feminismo negro possui um debate avançado com relação ao movimento negro na sua diversidade de abordagens.

Os debates foram trazendo outros esclarecimentos com relação ao feminismo negro e outros assuntos do povo negro no Brasil e em Alagoas. Discussões como essas, são de fundamental importância para promover a autoestima das mulheres negras de Alagoas, bem como trazer esse debate para os movimentos negros alagoanos.

Pan-Africanismo e Cultura Rastafári

“Um povo sem o conhecimento da sua história, origem e cultura é como uma árvore sem raízes”.

Marcus Garvey

No último dia 25 o Instituto do Negro de Alagoas INEG-AL realizou a palestra “Pan-
africanismo e Cultura Rastafári” ministrada pelo coordenador do Instituto Cultural Congo Nya, Sherwin Morris.

Morris discorreu sobre a importância do projeto pan-africanista para o desenvolvimento e fortalecimento da comunidade
negra. Para tanto, realizou um apanhado histórico de algumas realizações dos povos africanos e da diáspora ao longo de milênios. Dentre essas realizações, estão às diversas dimensões da ciência egípcia (escrita, arquitetura, medicina, matemática e etc), a edificação de civilizações pelos povos etíopes, a presença de egípcios e núbios nas Américas milênios atrás, o desenvolvimento dos impérios “agro-burocráticos” da “Antiguidade Neoclássica” africana como o de Ghana, e Songoi, a Revolução do Haiti, dentre outras.

Também foi exposto para os ouvintes algumas das atrocidades cometidas contra os povos africanos durante a escravidão, como o assassinato de milhões durante a travessia, os quais eram lançados ao mar. Importante perceber que a escravidão não só transformou o Atlântico num oceano de sangue, mas também em períodos anteriores o (o tráfico negreiro tem início por volta do séc. IX d.C.) Mar vermelho e o Oceano Índico no tráfico comandado pelos árabes e turcos, para citar alguns exemplos.

Fatos como estes demonstram o protagonismo do povo negro ao longo da história, contrariando a falácia tendenciosa de base racista, que afirma que a história dos africanos se iniciou na escravidão e como esta foi catastrófica para o desenvolvimento da comunidade negra. Sherwin Morris também discorreu sobre as concepções teóricas e políticas de várias lideranças pan-africanistas como Henry Sylvester Williams, W.E.B. Du Bois, Kwame Nkrumah, Marcus Garvey, Selassié, dentre outros. Os dois últimos são figuras centrais para o Movimento Rastafári, descrito por Morris como uma “manifestação” espiritual pan-africanista (o Pan- africanismo em sua forma espiritual é o Movimento Rastafári). Movimento este que por sinal pode ser descrito como um universo alternativo onde a comunidade negra  pôde/pode conhecer e vivenciar sua história e se organizar para o enfrentamento diário contra a “Babilônia”.

Promover espaços para estes debates são um dever da nossa instituição pois fortalecem nossa africanidade visando cada vez mais nos organizar enquanto comunidade. A próxima palestra se dará no começo de novembro.