Comissão Pró Cotas na Pós-Graduação é Formada na UFAL

         13717468_10208313280447714_8353360874041202020_oCom o intuito de garantir a presença das populações negras e indígenas, além das pessoas com necessidades especiais, nos cursos de pós-graduação da Universidade Federal de Alagoas, foi formada em meados do mês de julho de 2016, uma Comissão com o objetivo de pensar e construir uma proposta de política de acesso e permanência daqueles segmentos nos referidos cursos. A Comissão é formada pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB/UFAL), pelo Instituto do Negro de Alagoas (INEG/AL), pela Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPEP/UFAL), além de professores e coordenadores de programas de pós-graduação da instituição federal de ensino superior.

           A primeira experiência que incorporou o debate sobre o acesso de negros e indígenas em um curso de pós-graduação naquela Universidade foi desenvolvida pelo Programa de Pós-Graduação em História (PPGH/UFAL), no ano de 2015, tendo sido a proposta aprovada em agosto do ano anterior.  Além de contemplar os segmentos supracitados, a proposta do referido Programa incorporou ainda o debate sobre empoderamento de lideranças negras, na medida em que também reserva vagas para indivíduos comprometidos com a luta pela promoção socioeconômica da população negra no país. Algo realizado apenas por instituições privadas, as quais não concediam vagas em cursos de pós-graduação, mas sim, bolsas de mestrado e doutorado para segmentos historicamente preteridos.

       13719473_10208353329688920_8123695122930927088_oCom a iniciativa do Programa de História, logo outros Programas também formularam propostas, a exemplo do Programa na área de Educação e, mais recentemente, o da Antropologia. Tais iniciativas juntam-se a outras desenvolvidas no país, as quais forçaram o Ministério da Educação a instituir a Portaria Normativa nº 13, de 11 de maio de 2016 que dispõe sobre a indução de Ações Afirmativas na Pós-Graduação das universidades federais brasileiras e dá outras providências.

      Além de se debruçar na elaboração de uma proposta institucional para a Universidade Federal de Alagoas, a Comissão Cotas na Pós/UFAL, também percebeu a necessidade de envolver a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL) neste debate, principalmente no que concerne à garantia da permanência dos cotistas em seus respectivos Programas, por meio da concessão de bolsas de estudo. Pleito este, que o Instituto do Negro de Alagoas vem debatendo junto à referida Fundação desde o ano de 2010.

      A próxima reunião da Comissão está marcada para o dia 02 de agosto de 2016, às 10h, nas dependências do NEAB/UFAL.

INEG/AL ofertará curso sobre relações raciais em Alagoas

“Cabeça Preta: Relações Raciais em Alagoas” pretende constituir-se num exercício deFOTO INEG problematização da sociedade alagoana em sua relação com a população negra local. Partindo da análise critica da escrita tradicional alagoana e seus atuais perpetuadores e, finalizando, com as performances das manifestações políticos-culturais negro-alagoanas, o Curso tem por objetivo principal possibilitar uma mínima compreensão do processo de construção do negro local, bem como também de sua resposta a tal construção.

Muitas vezes reduzido a um mero portador de peculiaridades culturais, o negro alagoano sempre figurou no tradicional enquadramento de “tipos alagoanos”, por parte de nossa intelectualidade local, o que por sua vez demarcaria, sobremaneira, a condição de objeto distante, a ser pesquisado por nossa classe letrada. Apesar de tal enquadramento se inserir num conjunto de fontes que nos possibilitam ter uma compreensão mínima da realidade vivida pelo negro em Alagoas, não podemos deixar de fazer a devida critica e revisão nos moldes interpretativos até então vigentes.

Discutir a situação da população afro-alagoana implica em nos debruçarmos sobre a baseFOTO DENIS1 de nossa formação socioeconômica. De tal forma que a superação do caráter desigual desta formação perpassa obrigatoriamente pelo empoderamento e promoção socioeconômica daquela população.

Para se inscrever, o(a) interessado(a) deve enviar um e-mail para inegalagoas@hotmail.com, relatando porque gostaria de realizar o Curso. Na sequência, respondemos o e-mail com a ficha de inscrição e os dados bancários para o devido depósito. O Curso deverá ter duração de quatro meses, com encontros aos sábados. O valor total a ser investido pelo participante é de R$ 200,00 (duzentos reais), podendo o mesmo ser parcelado.

Bom Curso a todxs!!

CARTAZ CABEÇA PRETA

Feminismo Negro e Afetividades

FOTO BRUNADando continuidade às palestras ocorridas durante todo o ano de 2015, o Instituto do Negro de Alagoas (INEG/AL), trouxe para Alagoas, no dia 27 de novembro de 2015, a Coordenadora do Grupo de Estudos Mulheres Negras/UNB, Bruna Pereira. O debate foi produtivo e reflexivo. O tema proposto, “Feminismo Negro e Afetividades” foi a abertura inicial para um leque de assuntos referentes a mulher negra no Brasil.

A palestrante iniciou sua explanação fazendo uma leitura conceitual do feminismo no Brasil, e o que difere as condições de ser mulher em um país machista e com um alarmante índice de violência contra a mulher. Nesse contexto, Bruna esclareceu que existem dados atuais das últimas pesquisas sobre violência no Brasil que apontam para uma diminuição da mortalidade de mulheres no país. No entanto, esses dados, se observados de forma universal, acabam por obscurecer as particularidades existentes neste segmento populacional. Observando tais particularidades, os dados vão apontar para o aumento da violência contra as mulheres negras no Brasil. Nesse sentido, Bruna salientou a necessidade das mulheres negras terem seus debates em um Movimento Feminista Negro, que discuta as especificidades pertinentes aos interesses da mulher negra.

As análises de Bruna percorreram vários pontos que englobam o debate do feminismo negro brasileiro, entre eles a afetividade. Nesse contexto, a palestrante abordou algumas das formas encontradas por negros no Brasil para fazer frente ao racismo, como é o caso de relacionamentos com pessoas brancas. Relações essas que possuem conflitos raciais no seio FOTO PLATEIA BRUNAfamiliar, muitas vezes causando violência física e moral, que acabam por afetar muitas mulheres. Enquanto as mulheres brancas estão no cenário da afetividade de casamentos formais, as mulheres negras aparecem com relações informais ou como amantes, justificando talvez a frase “branca para casar e preta para furnicar”.

Bruna também destacou a importância do movimento negro feminista compreender que a discussão de gênero precisa levar em consideração que existe um genocídio negro que atinge principalmente aos homens jovens. Mostra nesse sentido, que o feminismo negro possui um debate avançado com relação ao movimento negro na sua diversidade de abordagens.

Os debates foram trazendo outros esclarecimentos com relação ao feminismo negro e outros assuntos do povo negro no Brasil e em Alagoas. Discussões como essas, são de fundamental importância para promover a autoestima das mulheres negras de Alagoas, bem como trazer esse debate para os movimentos negros alagoanos.

Pan-Africanismo e Cultura Rastafári

“Um povo sem o conhecimento da sua história, origem e cultura é como uma árvore sem raízes”.

Marcus Garvey

No último dia 25 o Instituto do Negro de Alagoas INEG-AL realizou a palestra “Pan-
africanismo e Cultura Rastafári” ministrada pelo coordenador do Instituto Cultural Congo Nya, Sherwin Morris.

Morris discorreu sobre a importância do projeto pan-africanista para o desenvolvimento e fortalecimento da comunidade
negra. Para tanto, realizou um apanhado histórico de algumas realizações dos povos africanos e da diáspora ao longo de milênios. Dentre essas realizações, estão às diversas dimensões da ciência egípcia (escrita, arquitetura, medicina, matemática e etc), a edificação de civilizações pelos povos etíopes, a presença de egípcios e núbios nas Américas milênios atrás, o desenvolvimento dos impérios “agro-burocráticos” da “Antiguidade Neoclássica” africana como o de Ghana, e Songoi, a Revolução do Haiti, dentre outras.

Também foi exposto para os ouvintes algumas das atrocidades cometidas contra os povos africanos durante a escravidão, como o assassinato de milhões durante a travessia, os quais eram lançados ao mar. Importante perceber que a escravidão não só transformou o Atlântico num oceano de sangue, mas também em períodos anteriores o (o tráfico negreiro tem início por volta do séc. IX d.C.) Mar vermelho e o Oceano Índico no tráfico comandado pelos árabes e turcos, para citar alguns exemplos.

Fatos como estes demonstram o protagonismo do povo negro ao longo da história, contrariando a falácia tendenciosa de base racista, que afirma que a história dos africanos se iniciou na escravidão e como esta foi catastrófica para o desenvolvimento da comunidade negra. Sherwin Morris também discorreu sobre as concepções teóricas e políticas de várias lideranças pan-africanistas como Henry Sylvester Williams, W.E.B. Du Bois, Kwame Nkrumah, Marcus Garvey, Selassié, dentre outros. Os dois últimos são figuras centrais para o Movimento Rastafári, descrito por Morris como uma “manifestação” espiritual pan-africanista (o Pan- africanismo em sua forma espiritual é o Movimento Rastafári). Movimento este que por sinal pode ser descrito como um universo alternativo onde a comunidade negra  pôde/pode conhecer e vivenciar sua história e se organizar para o enfrentamento diário contra a “Babilônia”.

Promover espaços para estes debates são um dever da nossa instituição pois fortalecem nossa africanidade visando cada vez mais nos organizar enquanto comunidade. A próxima palestra se dará no começo de novembro.

Filosofia e a Lei 10.639/03

FOTO RENATONo último dia do mês de julho de 2015, o Instituto do Negro de Alagoas – INEG/AL realizou um momento de rica discussão sobre Filosofia e Lei 10.639/03 e literatura, musicalização infantil e diversidade étnicorracial, enquanto parte das atividades do Projeto Empoderando Capoeiristas Para a Promoção do (a) Negro (a) em Alagoas. O debate ocorreu no auditório da 13ª Coordenadoria Regional de Educação, situada no CEPA, em Maceió. A atividade se insere no conjunto de iniciativas que tem se desenvolvido no estado com vistas a contribuir com o processo formativo de professores, coordenadores e gestores escolares para a devida implementação dos conteúdos referentes à história e cultura da população afro-brasileira e africana no seio do espaço escolar, assim como preconiza a referida Lei. Dentre os aspectos abordados pelo Prof. Dr. Renato Noguera, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), podemos destacar a importância e originalidade da formação do pensamento filosófico no interior das grandes civilizações africanas, a exemplo da civilização Egípcia. Ficou claro que o que hoje conhecemos como Filosofia, teve sua origem na região norte do continente africano, para onde migravam estudiosos de todo o mundo, inclusive os gregos, os quais bebiam da fonte do conhecimento africano para desenvolver e potencializar suas reflexões. Foi explanado ainda pelo Prof. Noguera que existe um esforço deliberado para negar a capacidade de construção do conhecimento por parte das civilizações africanas, o que se constituiria num epistemicídio.

O Prof. Noguera apresentou ainda um de seus projetos de áudio visual que é o vídeo infantil Nana e Nilo que visa contribuir com a quebra da ausência de personagens negros (as) no âmbito daquele segmento. O professor Noguera apresentou ainda duas de suas publicações, sendo uma delas Filosofia e a Lei 10.639.

O debate contou com a participação significativa de professores e coordenadores de escolas do município de União PALESTRA RENATOdos Palmares, os quais contribuíram relatando um pouco do trabalho que tem desenvolvido naquela cidade para o estabelecimento de uma prática pedagógica que valorize e construa positivamente a diversidade racial brasileira. Nesse sentido foram citadas um conjunto de obras literárias infantis que valorizam a cultura negra, as quais tem sido utilizadas como uma das maneiras de dialogar com a diversidade étnica presente nas escolas. O município de União dos Palmares conta com os esforços desenvolvidos pelo Núcleo de Identidade Etnicorracial (NIER) que tem como uma de suas integrantes a Prof.ª Ms. Márcia Susana, o qual desenvolve um trabalho permanente de formação e capacitação de professores. O debate contou ainda com a participação de uma acadêmica africana da capital moçambicana, a qual relatou sua experiência no Brasil e, em particular, em Alagoas, onde a mesma deixou claro que se descobriu negra aqui, enquanto consequência do racismo brasileiro.

O Instituto do Negro de Alagoas pretende realizar ainda mais dois momentos de debates para este ano de 2015. O próximo debate deverá versar sobre Pan-Africanismo e Cultura Rastafári.

Políticas Públicas Para a Capoeira!

O debate sobre Capoeira: Políticas Públicas, Salvaguarda e Regulamentação foi promovido pelo Instituto do Negro de Alagoas – INEG, no dia 09/05/2015, no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, com a presença do palestrante Paulo Magalhães, e representantes da comunidade da capoeira de Alagoas. O mesmo ocorreu num momento propício, pois em todo território nacional é pauta das discussões sobre as novas frentes que a comunidade da capoeira terá que tomar ao se falar de políticas publicas para capoeira no Brasil.

Na ocasião, foi feita uma explanação sobre a trajetória histórica da capoeira onde pudemos constatar o seu processo de perseguição e marginalização ao longo de sua existência, iniciando por sua proibição prescrita no Código Penal da República dos Estados Unidos do Brasil, em seu Decreto número 847, de 11 de outubro de 1890, onde foi proibida a prática da capoeira em praças públicas. Já no contexto atual, foi abordada a Lei 10.639/2003, que dialoga com a possibilidade ou alternativa de um possível mercado de trabalho, o Estatuto da Igualdade Racial que amplia esse debate e a tentativa de regulamentar a sua prática nos dias atuais.

Ficou claro que a prática da capoeira é valorizada por seus adeptos, porém ao se tratar de políticas publicas para a manutenção da prática no Brasil, quase sempre é acompanhada de um sistema que faça com que a capoeira possa perder aquilo que é sua principal motivação de existência que é a liberdade. Vale ressaltar que esta foi a primeira palestra do Projeto Empoderando Capoeiristas Para a Promoção do (a) Negro (a) em Alagoas, onde o INEG é proponente, sob o financiamento do Baobá – Fundo Para Equidade Racial.

O debate foi intenso e foi de entendimento dos que estavam presentes que a capoeira é uma manifestação que precisa ocupar o mercado de trabalho, porém não de qualquer jeito, pois o espaço para atuar é ainda hoje desvalorizado quando percebemos que projetos governamentais não pagam bem aos professores de capoeira e que a capoeira precisa de políticas públicas que reparem os anos de perseguição a capoeira e que a coloque no patamar que a mesma merece, que é o espaço da educação e de tradição da oralidade da cultura negra.

No final do mês de Julho, o INEG/AL trará para Maceió o Prof. Dr. Renato Nogueira (UFRRJ) o qual discutirá sobre Filosofia e a Lei 10.639/03, dentre outros assuntos.